Critica: Homem-Aranha volta mais dinâmico e engraçado


Dramas típicos da puberdade fazem parte da gênese de Peter Parker nos quadrinhos, mas nenhum dos filmes do vigilante aracnídeo explorou propriamente esse aspecto até Homem-Aranha: De volta ao lar, que estreia à meia-noite de hoje. Com um ator mais jovem do que em outras encarnações do personagem nos cinemas, o novo título é uma balanceada mescla entre o gênero super-herói e comédias adolescentes.
Embora Homem-Aranha (2002) e a sequência (2004), de Sam Raimi, sejam ótimas adaptações e bastante reverentes às origens do herói nos quadrinhos clássicos da Marvel dos anos 1960, causava estranhamento ver um ator mais velho em ambiente escolar. Então com 27 anos, Tobey Maguire emulava bem os trejeitos típicos do pária adolescente Peter Parker, mas em um corpo adulto.
A sensação de disparidade na faixa etária diminuiu no reboot iniciado em 2012 com O espetacular Homem-Aranha, estrelado por Andrew Garfield. Mais velho, à época com 29 anos, o ator aparentava menos idade e trouxe algo deixado de lado na trilogia dirigida por Raimi: o bom-humor de Parker enquanto mascarado. Quase como um super-poder, ao vestir o uniforme o adolescente tímido e inseguro se tornava um tagarela, característica preservada até hoje, com o herói já adulto nas tramas atuais dos quadrinhos.
Cada versão com seus acertos, ambas foram tiveram lacunas na representação do protagonista enquanto adolescente. De volta ao lar se sai mais acertado colocando um ator de aparência mais jovem e, de fato, bem mais novo, com recém-completados 21 anos. Tom Holland, o novo Peter Parker, realmente parece um adolescente e a presença dele em ambiente colegial é crível.
Diferentemente de outros heróis até então, o Homem-Aranha estreou nos quadrinhos trazendo forte apelo de identificação com jovens. Ao contrário de Batman, Superman, Capitão América ou Hulk, para citar alguns exemplos, o personagem era um garoto do colegial. E, além dos vilões, precisava lidar no dia a dia com valentões do colégio, amores não correspondidos e professores sisudos. Toda essa atmosfera juvenil foi, pela primeira vez, transposta para o cinema de forma convincente nesse novo longa, dirigido por Jon Watts.
A escolha de um elenco mais jovem certamente contribui, mas o roteiro também dá destaque à vida de Peter Parker longe das teias. Afinal, os conflitos humanos sempre foram os aspectos mais interessante do Aranha.
Sessão da tarde
Ainda que esteja integrado aos demais filmes da Marvel, Homem-Aranha: De volta ao lar destoa, de maneira muito positiva, dos outros títulos do estúdio. Com os filmes anteriores do herói ainda bastante frescos na memória do público, foi acertada a decisão de não recontar pela terceira vez no cinema a origem do personagem.
O novo longa começa com Peter Parker ainda iniciante na carreira de combatente do crime e tentando conciliar essa nova atividade à vida de um adolescente comum do subúrbio de Nova York. Com os passos acompanhados à distância por Tony Stark (Robert Downey Jr.), o Homem de Ferro, o adolescente também busca a aprovação do veterano super-herói, almejando uma vaga na equipe dos Vingadores.
Apesar de agitado, o novo momento da vida de Parker fica realmente conturbado com a aparição do Abutre (Michael Keaton), vilão que recrutou um time de bandidos para roubar tecnologia alienígena mantida sob guarda da empresa de Tony Stark. A história traz mudanças quanto à origem e apresentação de alguns personagens, a exemplo do Abutre, e traz uma saudável diversidade aos amigos de escola de Peter Parker, com mudanças de etnia de integrantes secundários, como Flash (Tony Revolori) e Liz (Laura Harrier).
Com referências diretas a filmes como Clube dos cinco (1985) e Curtindo a vida adoidado (1986), o novo Homem-Aranha se sai como uma versão heroica e moderna desses clássicos da Sessão da tarde. E os fãs de longa data do personagem também vão perceber inúmeras citações a diversas fases e momentos do aracnídeo. Capas famosas, personagens secundários e situações vistas nas HQs são reproduzidas no filme.
Marvel X SonyO novo filme é a consolidação de uma intrincada negociação entre Marvel Studios e Sony (a detentora dos direitos do personagem no cinema). Como o subtítulo sugere, o filme representa, de certa maneira, uma volta do Homem-Aranha ao ambiente original das histórias em quadrinhos, o mesmo universo habitado por Homem de Ferro, Pantera Negra, Thor e outros superpoderosos. O personagem fará parte do universo cinematográfico da Marvel por, pelo menos, mais três longas-metragens, Vingadores: Guerra infinitaVingadores 4 e a sequência de Homem-Aranha: De volta ao lar. Após esse ciclo, o personagem volta a ser exclusivo da Sony, o que não impede que haja uma nova negociação entre os dois estúdios.
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